quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O MUNDO MÁGICO DAS CORRESPONDÊNCIAS

2002 FOI um ano de muitos acontecimentos em minha vida, meu avô estava muito doente, vivia internado no hospital, problemas de coração, pneumonias, etc. Começou então o ciclo de discórdias em minha família, em 2002 iniciou o grande "bum" da telefonia celular na grande BH com a chegada da Oi com celulares GSM barato e a famosa promoção do chip 31 anos, aquilo foi uma febre. Infelizmente não consegui um Celular com um chip 31 ANOS, mas ter meu primeiro telefone foi fantástico, mesmo com tarifas caras lá estava eu sempre telefonando para amigos de Cefet, de trabalho, e frequentando as salas de bate-papo celular e foi através do bate-papo do celular que minha vida foi marcada para sempre.
Na sala de bate-papo do celular conheci a Helen da Cidade de Uberaba/MG, para não perder o contato com ela sem saber se ela ia topar ou não perguntei a ela se ela gostava de escrever e ela disse que sim, ai em seguida pedi a ela o endereço para nós dois trocarmos correspondências e ela me deu, eu escrevi para ela e ela me retornou. Quando eu recebi a carta dela pela primeira vez em minha caixinha de correios, fiquei maravilhado, nunca fiquei tão feliz e satisfeito, pois receber uma correspondência era algo fantástico.
Eu sempre gostei de escrever, na escola o português era meu forte, cheguei a ganhar vários prêmios de redação no ensino fundamental, me inscrevi várias vezes no premio Assis Chateaubriand de redação, escrevi até um livro, nas associações de bairro que participei eu quem era o secretário e redigia as atas, nas eleições da associação fazia questão de redigir as atas, ia em todas as chapas pedindo para ser o secretário, na umes eu era secretário, nos Grêmios eu fazia as atas e elaborava os estatutos, fazia o jornalzinho e os informativos, sempre fui fascinado pela comunicação, não é atoa que dentre os meus sonhos de criança estavam o de ser escritor ou jornalista.
Minhas primeiras cartas eram sempre enormes tinham mais de 03 páginas...
Com o passar do tempo a Helen foi tendo os problemas pessoais dela e teve que se afastar das correspondências, entretanto ela percebendo meu enorme entusiasmo com a correspondência me passou o endereço da Heloisa Helena, uma senhora de São Paulo/SP e foi essa senhora que realmente me ajudou a entrar no mundo das cartas, ela me repassava vários endereços de correspondentes, e me apresentou as FB (Friendship Book's) listas de amizade e com isso fui expandindo minha lista de correspondentes, em 2004 cheguei a me corresponder com 246 pessoas ao mesmo tempo, recebia todos os dias cerca de 30 cartas e mandava cerca de 130 mais que o triplo, passava o dia no meu quarto escrevendo.
Escrever foi uma terapia para mim, os amigos que eu tinha eram poucos e como eu não tinha videogame, computadores e outras coisas para compartilhar ficava mais era solitário mesmo, na escola só tinha colegas na hora de me explorar nos trabalhos em grupo e no auge da minha juventude eu sofria com a falta de uma namorada e como se não bastasse isso eu estava entrando no maior tormento da minha vida que foi a doença do meu avô e através das cartas eu desabafava, não tinha vergonha em falar com meu interlocutor. A minha timidez sempre foi minha maior dificuldade de falar, sempre fui tímido para coisas pessoais, falar de mim próprio ou de meus sentimentos com alguém era algo que me deixava extremamente nervoso, no entanto para o restante das coisas eu não tinha a mesma timidez, participava de grupos de teatro, eu quem liderava e fazia as palestras do Grêmio Estudantil, falava nas reuniões da associação, apresentava os trabalhos em grupo da escola, mas falar de mim jamais... Mas pelas cartas eu me sentia a vontade, sozinho no meu quarto não tinha medo de expor meus sentimentos a um desconhecido que eu jamais vi na minha vida, pois o que me segurava em falar com as pessoas era o medo da reação delas pela minha fala.
Sempre em minha vida fui mal interpretado e toda vez que eu dizia algo ou fazia algo as pessoas tinham atitudes contrarias a minha posição, quando eu escrevia e recebia cartas com criticas eu não ligava, mas quando eu falava pessoalmente e a pessoa me criticava eu ficava triste.
Para mim é ruim me esforçar tanto e não ter o devido reconhecimento. Eu nunca fui visto em lugar nenhum como eu deveria ser visto... Sempre as pessoas pensavam coisas contrarias as minhas atitudes ou a meu respeito, dois exemplos claros que posso dar agora são o do Grêmio Estudantil onde era tudo colocado a votação e a exposição de todos e mesmo assim fui tachado de quem não deixava os demais participar e outro exemplo é que mostra o quanto me esforcei para ter algo nessa vida fudida que tenho e mesmo assim pessoas me acham para baixo... (me desculpe em ambos exemplos me fugiu a palavra correta da descrição).
As correspondências me possibilitaram conhecer lugares, a fazer amores e influenciou minha vida atual, se realmente eu não tivesse essas pessoas com quem desabafar eu não teria aguentado a pressão que é minha vida atual.

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