Estudar no Cefet-mg é uma verdadeira batalha para qualquer aluno de escola pública, entretanto algumas escolas públicas de Belo Horizonte possuem bom nível de ensino possibilitando que seus alunos possam competir em processos de seleção com um bom nível de qualificação.
Mas eu estudei em escolas onde professores fingiam que davam aula e alunos fingiam que estudavam, no Domingas por exemplo sempre havia falta de professores; no meu primeiro ano do ensino médio fomos ter professor de matemática quase na metade do ano, tivemos duas trocas de professor de biologia e quase no fim do ano a professora de química desistiu de dar aula prejudicando nossos estudos, fora ainda situação de greve que alunos da rede pública mineira tem que conviver todo ano e a reposição de aulas é uma verdadeira farsa, além disso alunos adoravam não ter aula, faziam festa quando o professor faltava e éramos liberados mais cedo das aulas, isso tudo leva a um processo de ensino cheio de lacunas, nos dois primeiros anos do ensino médio nunca conseguimos estudar todo conteúdo dos livros, para que então eu pudesse obter sucesso no processo de seleção do Cefet eu tinha que estudar sozinho e aprender muita matéria apenas pela leitura dos livros e outros materiais que eu tinha acesso.
Outro método de complemento de educação que eu poderia ter para obter sucesso no vestibular do Cefet era pagar um cursinho preparatório mas eu não tinha dinheiro se quer para pagar passagem, quanto mais pagar curso preparatório, dessa forma a luta foi muito complicada, naquela época a média de candidatos por vaga no Cefet-Mg era de 12 por 01, No Curso Informática a média era de 30 por um, para facilitar as coisas meu curso era apenas cinco candidatos para cada vaga.
No dia da prova de vestibular estava muito ansioso pois não sabia se estudar sozinho iria me dar resultado, tudo muito tenso, aquele silêncio na sala de aula, dava para ouvir meu respirar profundo, gastei quase todo horário disponível para fazer a prova.
Na época eu trabalhava de servente de pedreiro, infelizmente era a única profissão acessível a jovens como eu que não tinha experiência, hoje em dia os jovens tem que dar graças a Deus pelo serviço de Call Center estar em alta, alguns call centeres pagam muito melhor que a construção civil, a carga horaria é de apenas 6h20min por dia e não é tão estafante, trabalhar na construção civil é para poucos, paga-se salários horrorosos, você não pode descansar fora de horário de almoço, a rotina de trabalho é pesada e a convivência com os chamados “peões de obra” é para quem tem jogo de cintura, eu que estava prestes a concluir o segundo grau e tinha talento em potencial sabia que aquilo não era para mim, chegava em casa exausto e ainda tinha que estudar no período noturno.
Até que um mês após a prova saiu o resultado final e a lista da primeira chamada, fui ao Cefet pessoalmente para conferir a listagem e quando olhei a lista dos aprovados e vi meu nome ali no 14° lugar entre os 30 aprovados eu não acreditei, fiquei durante uns 30 minutos mudo olhando para lista, sem saber o que fazer ou como explodir minha enorme emoção olhava para os lados para as pessoas que olhavam a lista, olhava para o Céu Azul que fazia naquele dia, queria gritar mas não podia, queria dividir esta emoção com alguém mas não existia qualquer pessoa da família com quem pudesse dividir aquela enorme emoção, o prazer de ter vencido, após muitos dias estudando sozinho, andando quase duas horas por dia entre ida e volta para estudar sozinho na biblioteca de Ibirité, eu ia enfim estudar na instituição mais tradicional de Belo Horizonte e ter uma formação que me pudesse inserir no mercado de trabalho, foi assim algo maravilhoso, então fui até o bosquinho do Cefet e comecei a chorar em um misto de tristeza pela luta e de sofrimento e tracei que dali por diante eu iria lutar para me formar um Técnico pois eu já sabia que enfrentaria dificuldades.
Nenhum comentário:
Postar um comentário