AMIZADES; CADA VEZ MAIS RARAS E SAGRADAS
Publicado no Super Notícia em 22/07/2012
Se
pudéssemos avaliar uma relação de amizade, colocar de uma forma
ponderável, talvez valesse à pena a máxima que diz: "uma amizade é tão
mais verdadeira e duradoura, quanto menor for o nível de interesse que
exista nela". Afinal quem se aproxima do outro por fatores como dinheiro, sexualidade, poder, política, fama, inteligência, beleza e outras tantas formas de reconhecimento, na verdade não é um amigo e sim um bajulador, um "puxa-saco", um aproveitador. Numerosos os que comem quando a mesa e farta, poucos e amigos que dividem o pouco pão, o ostracismo, as "vacas magras".
Outra questão é o coleguismo. Coisa bem sazonal, passageiro, a menos que vire algo maior como à amizade. Colega de trabalho, até que saia do emprego; a escola - até que forme - colega da turma da rua, até que mude.
Mais historias para contar, em velórios, festa de 10, 20 anos de formatura, casamentos de alguém, ou até mesmo no encontro casual, onde a falta de graça, não é compatível com os "8 anos convivendo na mesma escola".
Mas é isso, somos seres sociais, necessitamos de conviver em coletividade e mesmo com conflitos, traições, desentendimentos, violência, falta de solidariedade, nos empoleiramos em prédios cada vez mais altos (e nem sabemos o nome do vizinho de porta) DM cidades cada vez mais complexas e abarrotadas de gente, sem espaço nem para respirar nos ônibus, carros, metros e tanto espaço vazio nesse mundão de DEUS.
Viaja-se horas e de vez em quando uma casinha aqui outra acolá. E essa aglomeração das grandes cidades, onde todos se queixam, mas ninguém muda. É realmente nos sentimos mais seguros ao nos reunir em família, grupos, bandos, bairros, cidades, países.
Mas conviver com o outro é uma arte, ser companheiro uma necessidade, ser irmão, uma admiração. Ser amigo sim é uma liberdade, um exercício de seleção, de arbítrio. E amigo é o que discorda, faz criticas pertinentes, as vezes só escuta, outras vezes compreende, ainda que não concorde. É presente quando não há nada a se fazer a não ser oferecer sua presença. E como ajuda!
Amigo vibra com a vitória alheia. Não inveja, não sente ciúmes, não compete, não trai, briga sim, sente raiva, mas perdoa sempre e continua sempre a ser um grande amigo. Desapegadamente, generosamente. Movido a generosidade, acolhendo e sendo acolhido. Partilha a intimidade mas mantém o respeito e a privacidade.
Simples, não é mesmo?! Pelo menos deveria ser. Só que em tempos de Facebook, Twitter e redes sociais e virtuais não há como mensurar empatia, não há como usar da sensorialidade, intuição, "ver se os anjos batem".
Conectados, hiperconectados com a solidão, ou não! Eu é que estou defasado.
TEXTO EXTRAIDO DO JORNAL SUPER NOTICIA COLUNA OPNIÃO COM EDUARDO AQUINO CADERNO CIDADES, PÁGINA 6 DOMINGO 22 DE JULHO DE 2012
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